domingo, 28 de abril de 2013

Uma Dicotomia Enganadora

 Teologia Teologia
“Quanto mais eu estudo a natureza, mais ainda eu
fico maravilhado com a obra do Criador...
Ciência aproxima o homem de Deus.” 
Louis Pasteur
Louis Pasteur




Por Dr. Jónatas E. M. Machado, Universidade de Coimbra, Portugal

Onde estavas tu quando eu criei a Terra? Diz-me, se tens entendimento! Jó, 38:4
Os céus e a Terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. Marcos 13: 31

O pensamento moderno sublinha a dicotomia epistemológica entre a Bíblia - do domínio da subjetividade, da fé e da moralidade - e a ciência - com autoridade no plano da realidade objetiva. Para este entendimento, a ciência preocupa-se, acima de tudo, com os fatos, ao passo que a fé releva no domínio simbólico da interpretação subjetiva desses fatos. Em outras palavras, a ciência seria o domínio por excelência das afirmações de fato, ao passo que a fé seria um campo reservado à interpretação e à formulação de juízos de valor. Repare-se que esta divisão de tarefas é manifestamente assimétrica, na medida em que remete para a ciência a definição do que seja o conhecimento daquilo que objetivamente existe, deixando para a religião uma função meramente especulativa e interpretativa, subjetiva, em torno do significado das coisas.
A ciência tem assim uma preponderância natural sobre a religião. Aquela é objetiva e sólida, ao passo que esta é subjetiva e precária. A primeira preocupa-se com a realidade e a segunda com sentimentos e crenças. No mundo real elas nunca se encontram, porque estão em esferas diferentes. De acordo com este entendimento, todos teriam racionalmente que aceitar os dados objetivos da ciência, ficando a religião reservada às mentes mais débeis e carentes ou mais dadas a emoções subjectivas1. Assim, todos teriam que acreditar na evolução (facto científico objetivo obrigatório), mas os crentes sempre poderiam dizer, à margem de qualquer evidência empírica, que Deus conduziu o processo de evolução, ou até que Deus é a evolução (crença religiosa subjetiva facultativa).
O Criacionismo Bíblico rejeita liminarmente esta divisão epistêmica de tarefas entre a ciência e a fé por ser manifestamente improcedente e falaciosa, particularmente no que diz respeito à questão das origens2. Ela dá como demonstrado o que ainda é preciso demonstrar. Com efeito, longe de se esgotar na produção de afirmações de fato, a ciência assenta largamente na interpretação e na especulação (v.g. tudo começou com um Big Bang; a vida surgiu por acaso de uma sopa pré-biótica; as aves evoluíram de dinossauros ou de pequenos répteis). Por sua vez, a religião também pretende fazer afirmações de fato (v.g. Deus é o autor da vida; Deus criou plantas, animais e o ser humano, praticamente ao mesmo tempo e segundo a sua espécie; o dilúvio do Génesis foi real e global) 3. Vejamos mais de perto esta questão, pensando especificamente no cristianismo e no darwinismo.
Quanto ao primeiro, a Bíblia, desde o Gênesis ao Apocalipse, afirma que é a Palavra de Deus verbalmente inspirada, tendo sido sempre considerada como tal pelos judeus (quanto ao Velho Testamento) e pelos cristãos 4. Jesus afirmou que as suas palavras são mais sólidas e duradouras do que os próprios céus e a Terra. A palavra do Criador é digna de toda a confiança. Porque assim é, a Bíblia nunca se coloca no domínio da pura interpretação subjetiva de fatos5. Bem pelo contrário, a validade das mais importantes doutrinas bíblicas apoia-se em fatos objetivos (criação; queda; dilúvio global; dispersão; aliança; êxodo; nascimento, morte e ressurreição de Jesus) cuja explicação só pode ser encontrada, não na regularidade das leis naturais, mas na ação extraordinária de Deus, o qual também criou essas leis. Na Bíblia os fatos são importantes porque mostram a ação providencial de Deus na história humana e as doutrinas são dignas de crédito precisamente porque se apoiam em fatos objectivos e não em mitos ou “fábulas engenhosas”.6
Na Bíblia é claro que os milagres de Jesus são autênticos e testemunham da Sua qualidade de Criador. A ressurreição física de Cristo é igualmente um fato histórico con creto, sem o qual a fé não tem sentido. Tentar desmitificar ou encontrar explicações científicas para estes e outros milagres que a Bíblia relata é passar totalmente ao lado da verdade fundamental que a Bíblia visa transmitir: o Universo foi criado por um Deus pessoal que intervém ativamente na história do Homem - criado à Sua imagem e semelhança - que, por causa do pecado da humanidade, encarnou na pessoa de Jesus Cristo para redimir o mundo através da Sua morte e ressurreição!7 Se os fatos mencionados pelo relato bíblico não são verdadeiros, a história da salvação deixa de ter sentido. Isto mesmo sustentou o Apóstolo Paulo: “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.8
Por sua vez, o darwinismo, longe de se apoiar numa análise neutra e objectiva dos fatos, é fundamentalmente interpretação.9 Os registos históricos mais antigos que se conhecem têm cerca de quatro mil e quinhentos anos. São dessa era as civilizações mais antigas. Para além desse limite, a reconstituição historiográfica dos acontecimentos é feita com base em extrapolações, alicerçadas em pressupostos e modelos teóricos pré-concebidos, hoje predominantemente de matriz evolucionista. Sucede que nunca ninguém viu a sopa prébiótica, nem tão pouco um dinossauro a transformar-se em ave há cerca de 100 milhões de anos atrás. Do mesmo modo, nem os fósseis nem as rochas sedimentares trazem inscrita a sua idade, sendo datados com base nas premissas (evolucionistas) adotadas desde o início. Ora, não existe uma máquina que nos permita viajar no tempo e assim confirmar de forma absolutamente correcta as conclusões que aqui e agora tiramos acerca do passado distante. Mesmo as tentativas de observar o passado a partir das investigações astronômicas supõem a aceitação de premissas sobre a velocidade da luz.10
Do mesmo modo, as “provas” da evolução deduzidas pela Teoria da Evolução da homologia genética ou estrutural e funcional que se observa entre as diferentes espécies de animais, não passam de uma interpretação, sendo certo que o Criacionismo Bíblico utiliza os mesmos fatos para corroborar a sua crença num Criador comum. Aliás, o próprio Ernst Mayr reconheceu expressamente, na entrevista acima mencionada**, o amplo lastro interpretativo e especulativo que permeia todo o seu trabalho. Muitos dos “fatos” a que a darwinismo faz referência não passam de construções intelectuais feitas a partir de modelos, ou resultantes da assunção de premissas, pré-concebidos. Uma coisa é certa: os fatos com que os evolucionistas e os criacionistas se defrontam são exactamente os mesmos. A interpretação desses fatos é que difere, em função das premissas e dos modelos explicativos e preditivos de que ambos partem.
Assim, a ideia de que a religião e a ciência constituem dois “magistérios não sobreponíveis” (Stephen Jay Gold)11, na sua aparente plausibilidade, peca, numa avaliação condescendente, por ser demasiado ingênua e simplista. Em rigor, como veremos adiante, a mesma está longe de ser inocente. Acresce que a referida dicotomia epistêmica, além de ser má para a religião, tem também efeitos nefastos para a própria ciência. Com efeito, ao remeter para a religião o exclusivo da reflexão em torno da origem sobrenatural do Universo, aquela delimitação de tarefas vincula a ciência, de forma inexorável, a premissas teóricas e metodológicas de base estritamente naturalista e materialista, as quais se têm vindo a revelar insuficientes para explicar o mundo tal como existe. Se o Universo tiver sido o resultado de um design inteligente, hipótese que a ciência não pode descartar a priori, então uma metodologia estritamente naturalista, no pior sentido da palavra, estará impedida de explicar todas as suas características.
A ciência das origens não pretende responder apenas à questão de saber “como é que o Universo surgiu por acaso?”, mas sim “como é que o Universo surgiu?”. Diante desta questão o acaso é apenas uma das respostas teorética e cientificamente possíveis. A necessidade e o design inteligente são outras. Não há qualquer razão para excluir a priori qualquer destas respostas. Se isso acontecer, a evolução aleatória será estabelecida como verdade estipulativa, por definição, tornando-se imune a qualquer crítica. A Teoria da Evolução e o Criacionismo Bíblico pretendem responder à mesma questão a partir da análise dos mesmos fatos, mas com base em postulados diferentes. O que está em causa, em última análise, não é um conflito entre ciência e fé, mas sim entre duas religiões ou visões do mundo substancialmente diferentes: a visão naturalista e a visão bíblica.12 Esta última fornece um quadro explicativo e preditivo muito mais consistente com os dados empíricos observáveis.

Referências

1. Philip Johnson, Objections Sustained, Subversive Essays on Evolution, Law and Culture, Interevarsity Press, 1998, 67ss.
2. Jonathan Sarfati, Refuting Evolution, 15ª Reimp. Master Books, 2003, 15ss.
3. Henry Morris, The Genesis Record, Baker Book House, Grand Rapids, Michigan, 1976, 22ss.
4. Charles C. Ryrie, A Survey of Bible Doctrine, Chicago, Moody, 1972, 38; Henry Morris, Biblical Creationism, What Each Book of the Bible Teaches About Creation and the Flood, Master Books, 2000, 3ss.
5. Jonathan Sarfati, Refuting Compromise, Masterbooks, 2004, 35ss.
6. II Pedro 1:16.
7. João 3:16.
8. I Coríntios 15:14.
9. Duane T. Gish, Evolution: The Fossils Still Say No!, ICR, 1995, 1ss.
10. Sarfati, Refuting Compromise..., cit., 65 ss.
11. Stephen Jay Gould, Rocks of Ages: Science and Religion in the Fullness of Life, Ballantine, 1999, 49ss.
12. Isto mesmo é reconhecido pelo filósofo evolucionista Michael Ruse, The Evolution- Creation Struggle, Cambridge, Harvard University Press, 2005, 287, afirmando: “My area of expertise is the clash between evolutionists and creationists, and my analysis is that we have no simple clash between science and religion but rather between two religions.”

* Este artigo é parte de um estudo completo do Dr. Jónatas E. M. Machado, publicado na Revista do Centro Acadêmico de Democracia Cristã “ESTUDOS”, Nova Série N° 2, Coimbra, Portugal, Junho 2004:107-166.

** “Ernst Mayr é particularmente claro quanto a este ponto. Para ele, a ciência fornece um quadro objectivo muito diferente do relato do Génesis. Em seu entender1 , podemos conservar e apreciar estas histórias da criação como parte da nossa herança cultural, mas voltamo-nos para a ciência quando queremos aprender a verdade real sobre a história do mundo.” Ernst Mayr, What Evolution Is, Basic Books, New York, 2001, 5.

fonte: Universo Criacionista

segunda-feira, 22 de abril de 2013


Misteriosa pilha milenar intriga arqueólogos até hoje

Na década de 1930, o arqueólogo alemão Wilhelm Konig descobriu em um vilarejo próximo a Bagdá, no Iraque, um misterioso vaso de argila de 13 centímetros de altura, contendo um cilindro de cobre que encerrava uma barra de ferro. O artefato mostrava sinais de corrosão, e testes realizados na peça revelaram a presença de alguma substância ácida, possivelmente vinagre ou vinho. Em outras palavras, o arqueólogo havia encontrado uma antiga pilha. No entanto, o mais curioso é que o objeto foi datado em aproximadamente 200 anos antes de Cristo e, afinal, para que as pessoas de dois mil anos atrás precisariam de uma pilha?! No total, foram encontradas cerca de 12 baterias, e mesmo depois de tantas décadas desde o seu descobrimento, elas continuam intrigando os pesquisadores e gerando muitas discussões.

Existem muitas controvérsias envolvendo as pilhas, começando pela própria descoberta dos artefatos. Há poucos registros sobre as escavações, que foram pobremente documentadas pelo arqueólogo alemão. Portanto, até hoje não existe um consenso se Konig coletou os objetos do tal sítio arqueológico ou se os encontrou nos porões do Museu de Bagdá, depois de ter se tornado diretor da instituição.

A idade das baterias também é discutida, já que o estilo dos vasos pertenceria a um período posterior – entre 225 e 640 d.C. –, tornando os objetos muito mais “jovens” do que o apontado por Konig. No entanto, a maior discussão mesmo fica por conta da utilidade dos misteriosos objetos, pois simplesmente não existe qualquer registro histórico que se refira a eles. Teriam os persas antigos algum conhecimento sobre os princípios da eletricidade?

Independentemente das discussões sobre onde foram encontradas e se os antigos tinham conhecimento suficiente para fabricá-las, o fato é que as baterias eram capazes de conduzir uma corrente elétrica, fato comprovado por diversas réplicas criadas por pesquisadores em todo o mundo.

Embora ninguém saiba dizer ao certo para que eram empregadas, as réplicas indicam que as baterias eram capazes de produzir voltagens entre 0,8 e quase 2 volts. E mais: se fossem conectadas – apesar de nunca terem sido descobertos fios condutores entre os artefatos, infelizmente –, as baterias poderiam produzir voltagens bem mais altas.

Há quem acredite que as baterias fossem utilizadas pelos antigos médicos persas para tratar a dor através de pequenos choques. Outras teorias apontam que os objetos poderiam ter sido empregados na galvanização de superfícies metálicas, para embelezar joias, produzir moedas ou outros itens. Existe também a hipótese de que os artefatos ficassem escondidos em estátuas ou ídolos religiosos de metal, dando pequenos choques em quem os tocasse.

Contudo, nenhuma divindade de metal que pudesse conter as baterias jamais foi encontrada, e não existem registros confiáveis sobre a réplica do suposto processo de galvanização em laboratório. Portanto, a não ser que alguém invente uma máquina do tempo que nos permita voltar e conferir para qual finalidade as baterias de Bagdá eram utilizadas, elas continuarão sendo um dos maiores mistérios arqueológicos do mundo.


Nota: Ainda que muita coisa reste ser resolvida quanto ao mistério das pilhas, algo parece bem claro: os povos do passado eram mais inteligentes do que se pensa. É bom lembrar, também, das grandes construções que estão em pé ainda hoje, como as pirâmides. Infelizmente, graças à mitologia evolucionista, as pessoas tendem a pensar nos seres humanos de milhares de anos atrás como bárbaros ignorantes. A verdade é que a raça humana teve uma origem superior e está em decadência desde então. O que nos livra da extinção e da barbárie, hoje, é a tecnologia.[MB]

www.criacionismo.com.br

quinta-feira, 18 de abril de 2013


Cientistas desvendam genoma do celacanto

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Primeiro, achavam que ele estava extinto [havia 70 milhões de anos]. Depois, quando descobriram que não, apelidaram-no de “fóssil vivo”, por causa de sua morfologia pré-histórica – em especial, das nadadeiras, que conservam dentro delas uma forma rudimentar de braço e antebraço. Especulou-se que ele seria o parente vivo mais próximo do peixe ancestral que deu origem à linhagem dos tetrápodes, os animais de quatro membros (incluindo nós, seres humanos) que saíram da água e conquistaram a terra entre 300 e 400 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. Apesar dos muitos fósseis disponíveis, faltavam informações genéticas para tirar a dúvida. Agora não faltam mais. Em um trabalho publicado hoje na revista Nature, pesquisadores de vários países (incluindo o Brasil) apresentam uma análise do genoma do celacanto, um peixe estranho e muito raro que pouco mudou nos últimos 300 milhões de anos [idem] – não só do ponto de vista morfológico, mas também genético, segundo o estudo. [Quando se baseiam em fósseis, os cientistas elaboram fabulosas “histórias evolutivas”. Quando dispõem de seres vivos para fazer pesquisa, a história é outra: a evolução não parece tão “macro” assim.]

Os resultados indicam que os genes do celacanto estão evoluindo (mudando) numa taxa bem inferior à dos tetrápodes em geral. “Ele também mudou, mas muito menos do que nós, por exemplo”, disse ao Estado a pesquisadora Jessica Alfoldi, do Instituto Broad(uma parceria entre o MIT e a Universidade Harvard), que é uma das autoras principais do trabalho. “Por isso ele se parece mais com os ancestrais dele do que nós parecemos com os nossos.” [Na verdade, o celacanto se parece mais com os ancestrais dele pelo fato de que é exatamente como os fósseis dele encontrados em estratos antiquíssimos. Se um dia encontrarem um ser humano num estrato antigo – algo realmente muito difícil –, toda a teoria sobre nossos supostos ancestrais teria que ser alterada, mais ou menos como foi a alterada a “história evolutiva” do celacanto.]

Outra conclusão, baseada numa comparação entre o genoma do celacanto e de várias outras espécies de vertebrados, é que ele não é o parente vivo mais próximo dos tetrápodes, como chegou a ser proposto, mas sim os peixes pulmonados, um pequeno grupo de peixes parecidos com enguias que possuem pulmões e respiram ar na superfície, em vez de extrair oxigênio da água. Um exemplo é a piramboia, que ocorre no Brasil, única espécie do grupo na América do Sul (foto abaixo). Segundo o trabalho, os peixes pulmonados são (por pouco) mais próximos geneticamente dos tetrápodes, apesar de se parecerem menos com eles anatomicamente do que o celacanto. [É mais um mito que cai por terra – ou que afunda. Muitos livros terão que ser reescritos. Imagine-se quanta história evolutiva mudaria se se pudessem estudar exemplares vivos que hoje, supostamente, só existem em forma fóssil...]

O que não é nenhum demérito ao celacanto, que continua sendo o melhor modelo vivo disponível para estudo da origem dos tetrápodes, segundo o pesquisador brasileiro Igor Schneider. “Os pulmonados são mais próximos de nós, mas o celacanto é muito mais informativo no que diz respeito à evolução dos membros”, afirma Schneider, que participou da pesquisa como pós-doutorando no laboratório do renomado paleontólogo Neil Shubin (também co-autor do estudo), na Universidade de Chicago, e agora está de volta a sua terra natal, dando continuidade às pesquisas no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará. “É uma janela que nos permite olhar como eram esses peixes naquela época, quando eles estavam prestes a sair da água.” [A hipótese é tão forte que sempre acaba prevalecendo sobre os fatos. Mesmo sabendo que o celacanto é bem “adaptado” às águas profundas, os cientistas insistem em afirmar que ele estava “prestes a sair da água”.]

Em Chicago, Schneider e Shubin fizeram algo inusitado para saber se o “maquinário genético” responsável por guiar a formação das nadadeiras do celacanto era o mesmo usado para guiar a formação de braços e pernas nos tetrápodes. Os genes que fazem isso nos peixes e vertebrados terrestres são essencialmente os mesmos [funções semelhantes, informação semelhante. O ser humano também faz isso com suas criações diversas, mas que possuem funções semelhantes.]. Então, eles pegaram uma sequência de DNA que funciona como um “interruptor” genético – que liga, desliga ou regula o funcionamento de genes específicos – associado ao gene que controla a formação das nadadeiras no celacanto e o colocaram no genoma de um camundongo transgênico. Resultado: o gene funcionou da mesma forma, controlando a formação embrionária dos braços e pernas nos roedores.

“Isso mostra que os aparatos genéticos usados para formar membros nos tetrápodes já estavam presentes nos peixes ancestrais”, explica Schneider [por que deveria haver aparatos genéticos que permaneceriam tantos “milhões de anos” sem ser usados?]. “É evidente que, como nós fazemos braços e eles, nadadeiras, há outras coisas operando no genoma que nos faz diferentes deles [e é nessa diferença que eles deveriam focalizar a atenção, mas o que sempre importa mais são as semelhanças]. Vamos testar outros elementos regulatórios para saber o que é novo e o que é antigo.”

Na comparação entre genomas, os pesquisadores já identificaram algumas características genéticas importantes aos tetrápodes que não estão presentes no celacanto e que podem ser resultado da adaptação à vida na terra [aqui entra em cena a extrapolação dos dados com base numa hipótese]. Por exemplo, características ligadas ao olfato, ao sistema imunológico, à formação de dedos e ao metabolismo de ureia. [Essas características simplesmente surgiram nos seres terrestres – com aumento inexplicável de informação genética – ou foram criadas nesses animais distintos dos aquáticos?]

As comparações genéticas entre celacantos e peixes pulmonados foram feitas com base no chamado “transcriptoma”, que utiliza RNA em vez de DNA para identificar as mensagens que estão sendo codificadas pelos genes dentro das células. O ideal seria ter também o genoma inteiro de um peixe pulmonado sequenciado, mas por enquanto isso é tecnologicamente impossível. Por alguma razão desconhecida, os peixes pulmonados possuem genomas gigantescos, da ordem de 100 bilhões de pares de bases, comparado a três bilhões do genoma do celacanto e do genoma humano, por exemplo. “Até dá para sequenciar, mas seria caríssimo e não temos uma tecnologia (de bioinformática) avançada o suficiente para montar e anotar um genoma desse tamanho de maneira satisfatória”, aponta Jessica. Em outras palavras: até daria para sequenciar e produzir as peças do quebra-cabeça, mas não seríamos capazes de montá-lo no final. [Como explicar essa tremenda diferença entre os genomas de seres que deveriam ser parentes? De qualquer forma, lembre-se de que o ser humano e as bananas têm 50% de semelhança genética, mas ninguém diz que somos “parentes”.] [...]

É difícil dizer por que [o celacanto] teria mudado tão pouco em tanto tempo de evolução. Uma das hipóteses é que, por viver em águas profundas, onde as condições ambientais são relativamente estáveis, ele não foi “pressionado” a mudar (evoluir) tanto quanto os animais terrestres ou peixes de águas mais rasas (como os peixes pulmonados, por exemplo, que são seus parentes próximos). [Se convenceu?] [...]

Contrariamente ao celacanto, que manteve sua forma quase que inalterada até os dias de hoje, os pulmonados modernos são bem diferentes dos seus antepassados que aparecem no registro fóssil [dizem isso até que seja encontrado um ancestral de pulmonado idêntico à sua versão atual; aí, novamente, a hipótese terá que ser modificada]. [...]

Seja como for, juntando todas as informações genéticas e morfológicas, de fósseis e animais viventes, a história da origem aquática dos tetrápodes é uma das mais bem documentas da evolução da vida na Terra [se essa é uma das mais bem documentadas, então as demais “histórias” são mesmo muito frágeis!]. “Há muitos registros de bichos intermediárias, com características mistas, que mostram uma transformação gradual das nadadeiras em membros, como se fosse um filminho, desde uma forma mais pisciforme até um tetrápode propriamente dito (algo parecido com uma salamandra)”, afirma Carvalho. [Aqui entra em cena a ficção dos milhões de anos para “explicar” a ideia metafísica da macroevolução.]

O celacanto seria uma dessas formas transitórias, que se adaptou tão bem ao seu nicho ecológico que não precisou mais mudar; enquanto que alguns de seus parentes de águas mais superficiais começaram a rastejar pelas bordas e foram se transformando ao longo do tempo, até sair de vez da água e conquistar a terra firme. [Fatos: (1) descoberta de celacantos vivos, (2) percepção de ele é igual a seus ancestrais fossilizados de “70 milhões de anos”, (3) sequenciamento do genoma mostra diferenças enormes em relação a seus supostos parentes pulmonados, (4) constatação de que o celacanto era e é peixe de águas profundas (o que força os pesquisadores a supor que havia outros tipos de celacanto vivendo no raso e “namorando” a terra firme). O resto do texto acima é pura especulação evolucionista.]

criacionismo (Estadão)

segunda-feira, 15 de abril de 2013


Sodoma e Gomorra já foram descobertas?

A Escritura contém várias "histórias" que foram ridicularizadas umas mais do que outras. Destas, a criação de seis dias, o dilúvio global, a divisão do Mar Vermelho, o nascimento virginal, a ressurreição de Cristo, e outras obras espetaculares de Deus estiveram a receber críticas especiais. Outro ato poderoso de Deus, que tende a ser renegado é a destruição de Sodoma e Gomorra
.
Escarnecedores, tanto cristãos quanto seculares, têm um dia de campo com este evento bíblico porque não envolve apenas obras sobrenaturais de Deus e atos cataclísmicos da natureza, também representa justo juízo de Deus sobre o pecado. Isso é difícil para as pessoas imaginarem, especialmente hoje, quando o pecado específico que está sendo julgado é o comportamento homossexual. Será que a destruição dessas cidades realmente aconteceu? Há evidências arqueológicas e geológicas para apoiá-lo? Há outros escritos antigos à mencioná-lo? Sim, para todos
.
A destruição de Sodoma e Gomorra é um fato certo da história. O relato de Gênesis é escrito em forma narrativa e aludido por vários outros escritores do Velho Testamento. O próprio Jesus, obviamente acreditava, e de fato foi uma testemunha ocular como o Senhor pré-encarnado. Escritos extra-bíblicos (incluindo comprimidos desenterrados em Ebla) mencionam Sodoma e até mesmo dão referências 
específicas à sua localização ao longo da costa jordaniana do Mar Morto.
 
Gênesis usa verbos de ação hebraico como "destruir" e "derrubar" para descrever a destruição. Isto não significa necessariamente inferir aniquilação total, e, portanto, alguns restos poderiam ter sobrevivido. No início dos anos 1970, as autoridades jordanianas tem notado artefatos bem preservados desde a antiguidade inundando o mercado negro. Uma investigação levou a um cemitério da Idade do Bronze, no lado sudeste do Mar Morto, que estava prestes a ser saqueada.  

Junto a cinco "barrancos" (leitos secos de rios) que flui para o oeste no sul do Mar Morto, uma pesquisa arqueológica identificou cinco cidades em ruínas que parecem ser as cidades da planície mencionadas em Gênesis 14:08 . A mais proeminente ao norte foi em tempos antigos chamado Bab edh-Dhra, que parece ser a prestação árabe de Sodoma. Em seguida na linha foi Numeira (Gomorra), então a moderna cidade de Safi (Zoar ou Bela, para que Ló fugiu e que não foi destruída), em seguida, Admá e Zeboim. A chave era encontrar Zoar. Mencionada em outros Escritos e mapas antigos, que levaram à descoberta das ruínas nas proximidades. 2, 3
 
As cinco cidades foram todas situadas ao longo do Rift Mar Morto, um limite de placa principal. Ao comando de Deus a fenda se rompeu, lançando grandes quantidades de hidrocarbonetos líquidos e gasosos altas na atmosfera. Estes inflamado, definindo toda a região em chamas e cobrindo-o com "fogo e enxofre". Abraão viu o incêndio de Manre, cerca de 20 quilômetros de distância. A mistura de fogo certamente não veio de uma fonte pontual, como um vulcão, mas destruiu toda a área ao longo da falha linear. As cidades foram esmagadas e queimadas, assim como a Bíblia descreve. A cidade de Sodoma, na verdade, montou uma falha, fazendo com que a metade dela caisse cerca de 100 metros. Ninguém sobreviveu. Hoje, numerosos corpos continuam presos nos escombros.
O arqueólogo bíblico Dr. Bryant Wood da Associates for Biblical Research localizaou os portões da cidade, esmagadas sepulturas, torres, um templo, o abastecimento de água, e muros da cidade.  

Inabitável desde a destruição, os restos mortais foram identificados por Dr. Wood como Sodoma e Gomorra. O geólogo Dr. Steve Austin estudou a evidência geológica, incluindo a zona de falha, a camada de gravação, o betume, que entrou em erupção, e queda calamitosa da cidade para a sua ruína. Juntos, eles confirmaram a veracidade do relato de Gênesis.
 


Referências
  1. Ver Mateus 11:23-34; Marcos 06:11 ; Lucas 10:12 e 17:28-32.
  2. Wood, B. 1999. A Descoberta das cidades do pecado de Sodoma e Gomorra Bíblia e Spade 12 (3):.. 67-80.
  3. Austin, SA Sodoma e Gomorra Parts 1 & 2 . Origens, produzidos pela rede de televisão Cornerstone.
* Dr. Morris é presidente do Instituto de Pesquisa da Criação.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Mentira


Lembre-se  que a mentira não aumenta o nariz, mas diminiu a confiança.
 
 
 
A Mentira
 
       No âmago de todo problema já enfrentado neste mundo, existe uma mentira. Foi uma mentira que, no princípio, transformou a magnífica harmonia da criação original de Deus em discórdia. A maioria dos cristãos reconhece esse fato que se tornou uma parte indispensável do nosso kit evangelístico.
       Entretanto, enquanto estamos demonstrando a origem do mal, geralmente deixamos de discernir a mentira que permeia a atmosfera da nossa própria época, a qual, imperceptivelmente, acaba infiltrando-se em nossas vidas. Tal como um fungo que floresce em lugares escuros e sem oxigênio, a mentira prospera entre os que amam mais as trevas do que a luz.
       Certa vez, Jesus disse: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Por que ele disse especificamente a verdade vos libertará? Porque é uma mentira que nos mantém no cativeiro.
       O que diz a mentira? Em essência, diz o seguinte: o homem consegue chegar lá sem Deus. Em outras palavras, todas as nossas aspirações humanas podem ser satisfeitas sem Deus. Felicidade, aventura, desafios, paz, amor, liberdade, propósito, tudo isso pode ser nosso e, ainda por cima, nem precisamos nos preocupar mais com Deus.
       A verdade que dissipa essa mentira pode ser expressa de muitas maneiras diferentes. Particularmente, gosto da maneira como Agostinho o disse: "Senhor, tu nos criaste para ti mesmo, e os nossos corações não encontram sossego enquanto não repousarem em ti". Em síntese, não dá para chegar lá sem Deus. Para falar a verdade, não dá para chegar a lugar nenhum sem Deus. Todos os nossos mais profundos anseios, em última análise, são impossíveis sem Deus.
       Quando a mentira é exposta dessa forma, ela perde o seu poder. Torna-se tão obviamente errada que é até compreensível pensar que ninguém, pelo menos entre os cristãos, seria capaz de ser enganado por tal descarada contradição à verdade.
       Contudo, é precisamente essa a natureza da mentira. É algo sem substância que depende, em grande medida, de insinuação e conotação. Quando é trazida à luz, evapora. Satanás, o pai das mentiras, sabe muito bem disso e toma o maior cuidado para disfarçá-Ias sob toda sorte de papel de presente.
       A mentira é caracterizada por promessas que são quebradas, vez após vez, sem qualquer palavra de explicação ou desculpas.
 
 
A Mentira na Propaganda e na Mídia
 
       A propaganda desempenha um papel muito significativo na propagação de promessas irrealizáveis. Promete-se que o homem que fumar determinado charuto será perseguido por um harém de mulheres sensuais. Mas, na prática, não acontece bem assim. Sim, não foi um fracasso total a garota do departamento financeiro falou que gosta demais do cheiro de charutos. "Charutos e tangerinas sempre me lembram do Natal", disse ela.
       Não é suficiente explicar o papel dos propagandistas apenas com base na sua motivação comercial. Essa motivação é apenas uma outra expressão mais básica da mesma falácia oculta, a de que a realização humana pode ser comprada.
       Não é apenas nas propagandas que se encontra a mentira. Os filmes e, especialmente, a televisão desempenham um papel enorme na propagação da mentira. Somos bombardeados por uma exibição desconcertante de imagens potentes, porém ilusórias, para a nossa escolha. Desde as últimas novelas até os seriados favoritos de detetives e policiais. É impossível não encontrar uma imagem em especial com a qual gostaríamos de nos conformar. É uma questão de nos categorizar o mais próximo possível. Esqueça quem você é e seja como um deles.
       A mídia nos apresenta imagens que nada têm a ver com a integridade pessoal das pessoas. Um vilão, na vida real, pode ser visto como um amoroso pai de família, na tela, ou vice-versa.
       Meu ponto é que não podemos confiar em tais imagens. Não podemos aceitá-Ias por aquilo que parecem ser. As máscaras são fáceis demais de serem assumidas.
       As pessoas se envolvem com as estórias da novela, admiram os personagens, adotam os gestos, as modas, o vocabulário. Pior do que isso, usam-nos como modelos nos seus valores, opiniões e atitudes. Parecem tão verdadeiros, tão convincentes, tão bem-sucedidos. Mas suas opiniões se baseiam em uma outra visão de mundo e não merecem confiança.
 
 
A Mentira na Política e no Estilo de Vida
 
       Os políticos se tornaram alvos de chacota por causa da freqüência com que quebram suas promessas. No entanto, por estranho que pareça, as pessoas estão sempre prontas a acreditar que o próximo grupo de políticos fará melhor. Mas como poderão ser melhores quando é o sistema inteiro que está em erro? A partir do momento que seu manifesto, embora não declarado, é criar uma sociedade em que as pessoas possam se realizar sem Deus, o fracasso é inevitável. Nesse caso,não faz diferença alguma se estamos falando sobre políticos da direita ou da esquerda.
 
 
       Pete Townshend, um guitarrista famoso de uma banda de rock nos anos 70 (The Who), compôs uma música chamada Won't Get Fooled Again (Não Serei Enganado Outra Vez), na qual comenta a superficialidade do sistema e compara a política com modas de cabelo. "Onde antes se partia o cabelo à esquerda, agora se parte à direita", a letra diz. A música chega a um tremendo crescendo, e o solista canta gritado: "Apresento-lhe o novo chefe – é o mesmo chefe antigo!"
       Enquanto não fizermos de Jesus nosso "chefe", cada novo chefe será o mesmo chefe antigo, que simplesmente mudou de chapéu.
       Há um grande coro de reclamações na sociedade sempre que se sente uma ameaça ao seu padrão de vida. Mas itens como televisores, aparelhos de DVD, carros novos, celulares e ar-condicionado não são requisitos para qualidade de vida. Não é a falta dessas coisas que deveríamos estar lamentando. Um aparelho que economiza tempo e que nos oferece mais espaço para sermos mais absorvidos por imagens fictícias não está realmente nos prestando um serviço. Argumentaremos, é claro, que usaremos o tempo com proveito. Mas será que usaremos mesmo?
       Não possuamos mais coisas do que somos capazes de governar. Pelo contrário, adotemos um estilo de vida mais simples, que possa ser controlado.
       O mundo está cheio de pessoas que acreditam na mentira de que algo melhor está bem ali, um pouquinho além do seu alcance. Se tão somente pudessem…
       "Se não tivesse me casado tão jovem." Um outro divórcio está a caminho. "Ah, se tivéssemos condições de dar uma viagem de férias para nossos filhos…" A mamãe vai logo começar a trabalhar e os filhos vão sofrer porque ela não mais estará em casa quando voltarem da escola.
       O amanhã assoma no horizonte da maioria das pessoas como uma grande panacéia de todos os males. Elas vivem nas suas imaginações, nunca reconhecendo que hoje é o amanhã de ontem. Escapismo sem disfarce está cada vez mais aceitável. Fantasias eróticas e românticas ganharam posição de prestígio.
 
 
A Mentira no Romantismo e Erotismo
 
       Se quisermos ser livres dessas coisas, é importante que identifiquemos a mentira ao invés de tentar desesperadamente excluir os alvos ilusórios das nossas vidas.
       No cerne do erotismo está a mentira que promete realização sexual, mas que, no fim, só produz frustração. O problema é que se eu não estiver andando em comunhão com o Senhor quando a tentação sexual chegar, a condenação pode me levar a esconder-me dele,e as trevas nas quais tentei me esconder serão o ambiente no qual a mentira prosperará. Precisamos enfrentar tais tentações de forma sincera e direta. Há ampla graça e perdão com Deus.
       Vamos dar mais um passo adiante. O que é, exatamente, que está sendo prometido? Por que a promessa nunca pode ser cumprida? Situações específicas podem diferir, mas faça essas perguntas sobre cada tentação. Faça isso em comunhão com Deus. Ele é maravilhosamente compreensivo e totalmente incapaz de ser chocado ou escandalizado. A verdade o libertará.
       Romantismo é superficialmente menos grosseiro que erotismo, porém a raiz básica de ilusão e irrealidade é a mesma. Existe o mesmo desejo ilegítimo de experimentar algum benefício sem custo ou responsabilidade. Somos irredutíveis quanto aos males de se escapar para o mundo da fantasia por meio de drogas, e não percebemos que viver no mundo da nossa imaginação é fazer a mesma coisa, só que sem drogas.
       É bom arrepender-se e ser perdoado, mas é ainda melhor, em comunhão com Deus, identificar a mentira e ser transformado de sonhador em alguém que tem visão e está preparado a ansiar e trabalhar em favor de um alvo alcançável.
       Prometeram-nos que podíamos experimentar tragédia sem dor; amor sem doação; mistério sem incerteza. É tudo tão seguro. Podemos nos apaixonar sem nos machucarmos. Se as coisas não estiverem andando do jeito que queremos, podemos começar de novo com outro livro, ou começar a imaginar um relacionamento ilícito com outra pessoa.
       Mentiram para nós. A vida não é segura. Precisamos da segurança do nosso Deus se quisermos vencer na vida real e não ficar nas ilusões do mundo bidimensional que nos rodeiam.
 
 
Encontrando Realidade
 
       Eu estava visitando um fazendeiro recentemente no caminho para casa, ao voltar de uma viagem de alguns dias. Depois de uma refeição muito agradável, meu anfitrião me convidou a ver suas ovelhas sendo tosadas. Hesitei um pouco em dizer sim, porque eu queria mesmo chegar em casa e evitar o trânsito mais pesado nas estradas. Além disso, como já tinha visto essas operações na televisão, achei que já sabia tudo a respeito. Porém, talvez para não dar a impressão de desinteresse, talvez por um motivo mais profundo, respondi que daria uma olhada.
       Caminhamos através de um grande galpão onde se tosavam as ovelhas, e logo fui impactado pelo forte cheiro. Um perito neozelandês estava fazendo o serviço, e fiquei tremendamente impressionado com o esforço físico envolvido no seu trabalho. Primeiro, era necessário levantar o animal pesado e peludo, depois, com habilidade, ele manipulava a criatura, usando as próprias pernas para escorá-Ia e prendê-Ia, enquanto, em seguida, passava a despi-Ia de sua cobertura.
       Era infinitamente mais "real" e "vivo" do que eu imaginara, a partir das imagens vistas no aparelho eletrônico. O mesmo ocorre com todos os aspectos da vida que pensamos conhecer, mas que, na verdade, vimos apenas em dimensões bem menores e com perspectiva muito inferior na televisão ou nos filmes.
       Quanto tempo passamos fora do ambiente de concreto e asfalto que criamos para nós mesmos? Estou convencido que o simples fato de estar entre árvores e campos, rios e flores selvagens, já alimenta nossa alma. Fomos levados enganosamente a acreditar que essa é uma atividade não essencial.
       Se quisermos aceitar o desafio para viver de acordo com a verdade, teremos que nadar rio acima contra a correnteza atual. As áreas de carreira e educação terão de ser analisadas.
       Não se encontra realização em carreiras da forma que muitos a procuram. A educação também não é a chave. Deus é nossa realização e aquele que fixa o coração nele não será frustrado.
        Um amigo meu recebeu o convite para estudar inglês na Universidade Cambridge. Ele explicou posteriormente como tomou a decisão:
    "Ir à faculdade significaria desfazer amizades e deixar para trás algo que estava nascendo, algo que eu tinha certeza que provinha de Deus. Eu estava começando a reconhecer com profunda alegria que essas amizades, em contraste com tantas outras que observava, prometiam fazer parte de algo bem maior do que as pessoas envolvidas, algo permanente. Eu estava apenas vagamente consciente dessas coisas, no entanto um curso de faculdade apresentava uma ameaça muito substancial a tudo isso. Conseqüentemente, foi com muita alegria e alívio que percebi que o desejo do meu coração era permanecer onde estava. Assim, ainda que o mundo inteiro parecesse ter o conceito fixo de que, para uma pessoa na minha posição, o caminho para a universidade era obrigatório, fiquei muito feliz em permanecer 'livre'. Não era uma questão de ser certo ou errado ir à universidade, mas que sua atração naquele momento não se comparava de forma alguma com o que Deus estava planejando para nós onde estávamos. E não daria para levar o que Deus estava fazendo na minha vida para uma situação nova na faculdade, porque meu lugar no seu Reino já estava investido, não em princípios facilmente transportados, mas em relacionamentos específicos com pessoas específicas."
 
 
A Estratégia de Satanás
 
       O objetivo final de Satanás é oferecer um sistema que é governado por ele mesmo e por seus agentes, completamente alternativo à maneira como Deus quer as coisas.
       A religião também faz parte dos seus planos. Satanás está sempre inventando novos sistemas filosóficos e religiosos no seu desejo benévolo, ou melhor, malévolo de atender às necessidades de todos. Satanás não tem compromisso com a verdade. Ele não está comprometido com satanismo ou magia negra da mesma forma como Jesus se compromete com a verdade do cristianismo. Ele não se importa se você é ateu, espiritualista ou panteísta. Não devemos nos surpreender com a variedade e falta de coerência no meio de sistemas não cristãos.
       Certa vez, Deus falou com Bob Mumford: "Mumford, você e eu somos incompatíveis, e eu não mudo!". Porém Satanás não é tão inflexível assim. Ele o ajudará a edificar seu próprio sistema se você não conseguir achar algo com que se identificar.
       Uma das principais ambições de Satanás é governar a igreja. Aqui ele precisa lançar mão de suas artimanhas mais sutis. Muitos cristãos acham que pelo fato de terem Deus no seu vocabulário estão livres da mentira do mundo, mas infelizmente há ampla evidência da sua infiltração no meio deles. Os cristãos continuam, em grande medida, independentes de Deus e uns dos outros, cada qual cuidando do próprio jardim e limpando o próprio carro. Suas grandes preocupações são o preço da carne e se vão conseguir viajar de férias este ano. "Eu não queria que você convidasse pessoas para casa depois do culto sem me avisar – não arrumei a sala ainda."
       As reuniões da igreja são conduzidas como se a igreja fosse uma democracia. Um homem, um voto, sem levar em conta o caráter ou o dom, e sem discernir autoridade espiritual. Profissionalismo e formalidade permeiam a igreja, promovendo a mentira de que Deus não pode ser conhecido íntima ou pessoalmente. Mas "Aba" realmente significa "Papai". Os templos mais parecem tribunais, com dependências que lembram escritórios de advogados, ambientes pouco propícios para uma família.
      A tática principal de Satanás não é convencer pessoas na igreja de que Deus não existe. Pelo contrário, por meio de promulgar constantes mentiras sobre a natureza de Deus, ele espera seduzir as pessoas e atraí-Ias para fora do seu lugar de descanso na graça incondicional de Deus para pensarem que deveriam estar fazendo algo para Deus. Dessa forma, sementes de independência são lançadas. Uma igreja que procura oferecer adoração ou serviço a Deus sem depender da capacitação da vida do Espírito está abrindo o caminho para Satanás mostrar sua carta de trunfo.
       Creio que, nos próximos anos, haverá grande crescimento do interesse das pessoas pela religião. Entretanto, não terá nada a ver com a entrega da independência humana ou do reconhecimento de Jesus como Senhor. Será caracterizado por uma confusão de rituais, sinais sobrenaturais e idéias conflitantes. Será um avivamento religioso que servirá para fortalecer as pessoas na sua independência de Deus.
 
 
 
A Saída
 
       Como poderemos achar uma saída no meio de toda essa confusão? A resposta é maravilhosamente simples.
 
"Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, conhecerá a respeito da doutrina…" (Jo 7.17)
 
       Discernimento entre verdade e erro não é uma questão de intelecto. É uma questão de ter coração aberto para Deus. Embora a mentira seja formidável, não é todo-poderosa. Não pode ocupar mais domínio na nossa vida do que lhe permitimos. Satanás precisa da nossa cooperação. Se a mentira se infiltrou na nossa sociedade, foi somente na proporção em que a permitimos. Romanos 1.25 diz:
 
"Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira"  Romanos 1.25
 
       literalmente, na mentira. Tem havido uma disposição de abandonar a verdade que tínhamos em troca de uma mentira.
       Pense nisso da seguinte forma: estou dentro de um longo túnel escuro. Enquanto vou apalpando no escuro, vejo uma minúscula pontinha de luz. Se eu andar em direção àquela luz, automaticamente me qualificarei para receber mais luz, e assim sucessivamente até sair na plena luz do dia. Mas se eu firmemente me recusar a ir naquela direção porque prefiro não achar a luz naquela direção, continuarei nas trevas, batendo minha cabeça contra a parede.
       Ao andar humildemente com Deus, com um coração de integridade, descobriremos que não haverá lugar para qualquer aspecto da mentira em nossas vidas. Veremos que simplesmente não cabe, não se encaixa. É irrelevante. Se nos acostumarmos a conversar com Deus, momento por momento, na nossa vida e a dividir com os outros a simplicidade do diálogo com Deus, ritual e liturgia tornar-se-ão irrelevantes.
       Se eu estiver satisfeito com meu relacionamento com Deus hoje, a promessa de achar satisfação amanhã por meio de um carro novo será irrelevante.
       Em Lamentações 3.24 lemos: 
 
"A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele"  Lamentações 3.24
 
      Se o Senhor verdadeiramente é a minha porção, coisas tais como lascívia, romantismo, prestígio social, materialismo e falsa religião acharão pouca aceitação no meu coração. Se minha mente for renovada diariamente pelo Espírito Santo, acostumando-se mais e mais a pensar sobre a vida do ponto de vista dele, serei cada vez menos conformado com este mundo e com a mentira que permeia toda sua essência.
 
 
 
 
OBS.: Este artigo foi publicado originalmente em julho de 1978, numa revista periódica da Inglaterra chamada Fulness (que não circula mais).
 
Verdades Sobre a Mentira
"O mundo deseja ser enganado" (Sebastian Brant, 1457-1521, poeta e humanista alemão).
"A mente é sempre enganada pelo coração." "A melhor maneira de ser enganado é se achar mais esperto que os demais." "O amor-próprio é o maior de todos os lisonjeadores." (François, Duc de Ia Rochefoucauld, 1613-1680, epigramatista e moralista francês).
"A pessoa mais fácil de você enganar é você mesmo" (Edward Bulwer-Lytton, 1803-1873, romancista e político inglês).
"O pecado possui muitas ferramentas, mas a mentira é o cabo que se encaixa em todas" (Oliver Wendell Holmes, 1841-1935, juiz associado da Suprema Corte dos Estados Unidos, de 1902 a 1932).
"… uma mentira que é meia-verdade é a mais negra das mentiras, pois uma mentira que é totalmente mentira pode ser identificada e confrontada diretamente, mas uma mentira que tem uma parte da verdade é muito mais difícil de ser combatida" (Alfred Lord Tennyson, 18091865, poeta inglês, uma das maiores figuras da Era Vitoriana).
"Não existe mentira pior que uma verdade mal compreendida por aqueles que a ouviram" (William James,1842-1910, filósofo e psicólogo norte-americano).
"Os homens ocasionalmente tropeçam sobre a verdade, mas a maioria se levanta e sai correndo, como se nada houvesse acontecido" (Sir Winston Churchill, 1874-1965, político inglês e Primeiro Ministro da Inglaterra de 1940 a 1945, e de 1951 a 1955).
"Acredite naqueles que estão buscando a verdade. Desconfie daqueles que a acharam" (André Gide, 1869-1951, crítico e romancista francês).
"Uma mentira não teria sentido algum se a verdade não fosse percebida como perigosa" (Alfred Adler, 1870-1937, psicólogo austríaco).
"As pessoas nunca mentem tanto como depois de uma caçada, durante uma guerra ou antes de uma eleição" (Otto von Bismarck, 18151898, unificador e consolidador da Alemanha).
"O público acreditará em qualquer coisa, desde que não esteja fundamentada na verdade" (Edith Sitwell, 1887-1964, biógrafa, crítica, romancista e poetisa inglesa).
"É mais fácil as grandes massas do povo se tornarem vítimas de uma grande mentira do que de uma mentira pequena" (Adolf Hitler, 18891945, ditador da Alemanha).
 
Autor:  Nick Butterworth
 
 
E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.  (Joao 8:32)