quinta-feira, 18 de abril de 2013


Cientistas desvendam genoma do celacanto

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Primeiro, achavam que ele estava extinto [havia 70 milhões de anos]. Depois, quando descobriram que não, apelidaram-no de “fóssil vivo”, por causa de sua morfologia pré-histórica – em especial, das nadadeiras, que conservam dentro delas uma forma rudimentar de braço e antebraço. Especulou-se que ele seria o parente vivo mais próximo do peixe ancestral que deu origem à linhagem dos tetrápodes, os animais de quatro membros (incluindo nós, seres humanos) que saíram da água e conquistaram a terra entre 300 e 400 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. Apesar dos muitos fósseis disponíveis, faltavam informações genéticas para tirar a dúvida. Agora não faltam mais. Em um trabalho publicado hoje na revista Nature, pesquisadores de vários países (incluindo o Brasil) apresentam uma análise do genoma do celacanto, um peixe estranho e muito raro que pouco mudou nos últimos 300 milhões de anos [idem] – não só do ponto de vista morfológico, mas também genético, segundo o estudo. [Quando se baseiam em fósseis, os cientistas elaboram fabulosas “histórias evolutivas”. Quando dispõem de seres vivos para fazer pesquisa, a história é outra: a evolução não parece tão “macro” assim.]

Os resultados indicam que os genes do celacanto estão evoluindo (mudando) numa taxa bem inferior à dos tetrápodes em geral. “Ele também mudou, mas muito menos do que nós, por exemplo”, disse ao Estado a pesquisadora Jessica Alfoldi, do Instituto Broad(uma parceria entre o MIT e a Universidade Harvard), que é uma das autoras principais do trabalho. “Por isso ele se parece mais com os ancestrais dele do que nós parecemos com os nossos.” [Na verdade, o celacanto se parece mais com os ancestrais dele pelo fato de que é exatamente como os fósseis dele encontrados em estratos antiquíssimos. Se um dia encontrarem um ser humano num estrato antigo – algo realmente muito difícil –, toda a teoria sobre nossos supostos ancestrais teria que ser alterada, mais ou menos como foi a alterada a “história evolutiva” do celacanto.]

Outra conclusão, baseada numa comparação entre o genoma do celacanto e de várias outras espécies de vertebrados, é que ele não é o parente vivo mais próximo dos tetrápodes, como chegou a ser proposto, mas sim os peixes pulmonados, um pequeno grupo de peixes parecidos com enguias que possuem pulmões e respiram ar na superfície, em vez de extrair oxigênio da água. Um exemplo é a piramboia, que ocorre no Brasil, única espécie do grupo na América do Sul (foto abaixo). Segundo o trabalho, os peixes pulmonados são (por pouco) mais próximos geneticamente dos tetrápodes, apesar de se parecerem menos com eles anatomicamente do que o celacanto. [É mais um mito que cai por terra – ou que afunda. Muitos livros terão que ser reescritos. Imagine-se quanta história evolutiva mudaria se se pudessem estudar exemplares vivos que hoje, supostamente, só existem em forma fóssil...]

O que não é nenhum demérito ao celacanto, que continua sendo o melhor modelo vivo disponível para estudo da origem dos tetrápodes, segundo o pesquisador brasileiro Igor Schneider. “Os pulmonados são mais próximos de nós, mas o celacanto é muito mais informativo no que diz respeito à evolução dos membros”, afirma Schneider, que participou da pesquisa como pós-doutorando no laboratório do renomado paleontólogo Neil Shubin (também co-autor do estudo), na Universidade de Chicago, e agora está de volta a sua terra natal, dando continuidade às pesquisas no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará. “É uma janela que nos permite olhar como eram esses peixes naquela época, quando eles estavam prestes a sair da água.” [A hipótese é tão forte que sempre acaba prevalecendo sobre os fatos. Mesmo sabendo que o celacanto é bem “adaptado” às águas profundas, os cientistas insistem em afirmar que ele estava “prestes a sair da água”.]

Em Chicago, Schneider e Shubin fizeram algo inusitado para saber se o “maquinário genético” responsável por guiar a formação das nadadeiras do celacanto era o mesmo usado para guiar a formação de braços e pernas nos tetrápodes. Os genes que fazem isso nos peixes e vertebrados terrestres são essencialmente os mesmos [funções semelhantes, informação semelhante. O ser humano também faz isso com suas criações diversas, mas que possuem funções semelhantes.]. Então, eles pegaram uma sequência de DNA que funciona como um “interruptor” genético – que liga, desliga ou regula o funcionamento de genes específicos – associado ao gene que controla a formação das nadadeiras no celacanto e o colocaram no genoma de um camundongo transgênico. Resultado: o gene funcionou da mesma forma, controlando a formação embrionária dos braços e pernas nos roedores.

“Isso mostra que os aparatos genéticos usados para formar membros nos tetrápodes já estavam presentes nos peixes ancestrais”, explica Schneider [por que deveria haver aparatos genéticos que permaneceriam tantos “milhões de anos” sem ser usados?]. “É evidente que, como nós fazemos braços e eles, nadadeiras, há outras coisas operando no genoma que nos faz diferentes deles [e é nessa diferença que eles deveriam focalizar a atenção, mas o que sempre importa mais são as semelhanças]. Vamos testar outros elementos regulatórios para saber o que é novo e o que é antigo.”

Na comparação entre genomas, os pesquisadores já identificaram algumas características genéticas importantes aos tetrápodes que não estão presentes no celacanto e que podem ser resultado da adaptação à vida na terra [aqui entra em cena a extrapolação dos dados com base numa hipótese]. Por exemplo, características ligadas ao olfato, ao sistema imunológico, à formação de dedos e ao metabolismo de ureia. [Essas características simplesmente surgiram nos seres terrestres – com aumento inexplicável de informação genética – ou foram criadas nesses animais distintos dos aquáticos?]

As comparações genéticas entre celacantos e peixes pulmonados foram feitas com base no chamado “transcriptoma”, que utiliza RNA em vez de DNA para identificar as mensagens que estão sendo codificadas pelos genes dentro das células. O ideal seria ter também o genoma inteiro de um peixe pulmonado sequenciado, mas por enquanto isso é tecnologicamente impossível. Por alguma razão desconhecida, os peixes pulmonados possuem genomas gigantescos, da ordem de 100 bilhões de pares de bases, comparado a três bilhões do genoma do celacanto e do genoma humano, por exemplo. “Até dá para sequenciar, mas seria caríssimo e não temos uma tecnologia (de bioinformática) avançada o suficiente para montar e anotar um genoma desse tamanho de maneira satisfatória”, aponta Jessica. Em outras palavras: até daria para sequenciar e produzir as peças do quebra-cabeça, mas não seríamos capazes de montá-lo no final. [Como explicar essa tremenda diferença entre os genomas de seres que deveriam ser parentes? De qualquer forma, lembre-se de que o ser humano e as bananas têm 50% de semelhança genética, mas ninguém diz que somos “parentes”.] [...]

É difícil dizer por que [o celacanto] teria mudado tão pouco em tanto tempo de evolução. Uma das hipóteses é que, por viver em águas profundas, onde as condições ambientais são relativamente estáveis, ele não foi “pressionado” a mudar (evoluir) tanto quanto os animais terrestres ou peixes de águas mais rasas (como os peixes pulmonados, por exemplo, que são seus parentes próximos). [Se convenceu?] [...]

Contrariamente ao celacanto, que manteve sua forma quase que inalterada até os dias de hoje, os pulmonados modernos são bem diferentes dos seus antepassados que aparecem no registro fóssil [dizem isso até que seja encontrado um ancestral de pulmonado idêntico à sua versão atual; aí, novamente, a hipótese terá que ser modificada]. [...]

Seja como for, juntando todas as informações genéticas e morfológicas, de fósseis e animais viventes, a história da origem aquática dos tetrápodes é uma das mais bem documentas da evolução da vida na Terra [se essa é uma das mais bem documentadas, então as demais “histórias” são mesmo muito frágeis!]. “Há muitos registros de bichos intermediárias, com características mistas, que mostram uma transformação gradual das nadadeiras em membros, como se fosse um filminho, desde uma forma mais pisciforme até um tetrápode propriamente dito (algo parecido com uma salamandra)”, afirma Carvalho. [Aqui entra em cena a ficção dos milhões de anos para “explicar” a ideia metafísica da macroevolução.]

O celacanto seria uma dessas formas transitórias, que se adaptou tão bem ao seu nicho ecológico que não precisou mais mudar; enquanto que alguns de seus parentes de águas mais superficiais começaram a rastejar pelas bordas e foram se transformando ao longo do tempo, até sair de vez da água e conquistar a terra firme. [Fatos: (1) descoberta de celacantos vivos, (2) percepção de ele é igual a seus ancestrais fossilizados de “70 milhões de anos”, (3) sequenciamento do genoma mostra diferenças enormes em relação a seus supostos parentes pulmonados, (4) constatação de que o celacanto era e é peixe de águas profundas (o que força os pesquisadores a supor que havia outros tipos de celacanto vivendo no raso e “namorando” a terra firme). O resto do texto acima é pura especulação evolucionista.]

criacionismo (Estadão)

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