segunda-feira, 27 de maio de 2013


Em tempos onde a teologia da prosperidade faz vários adeptos, é no mínimo interessante a informação trazida por Jim West em seu blog, Zwinglius Redivivus, sobre a situação econômica de João Calvino, do livro The Life and Times of John Calvin, the Great Reformer1:



[Calvino] recebia em Genebra só o suficiente para lhe dar suporte com a maior economia. Seu pagamento consistia de 50 dólares, doze medidas de cereais, dois barris de vinho e uma moradia.
O protocolo de estado de outubro de 1541 diz, de fato, “que um considerável salário foi conferido a Calvino, porque ele era bastante letrado, e visitantes o davam muito custo”. Mas o que prova que este salário era muito pequeno, de acordo com o preço das coisas na época, é a circunstância que o conselho frequentemente achava necessário, por mera benevolência, de lhe estender uma mão ajudadora. Verdadeiro contudo aos seus princípios, ele recusou dez dólares* oferecidos a ele quando esteve doente em 1546, e duas vezes onde o conselho quis que ele aceitasse para sua viagem à Berna, em 1553, para assuntos da república. Em 28 de dezembro de 1556, o conselho lhe enviou um pouco de madeira para aquecer seu quarto. Ele levou o dinheiro para eles por ela, mas eles não o aceitariam.
O mesmo corpo lhe enviara, em 14 de maio de 1560, um barril do melhor vinho, porque ele tinha só o que era muito indiferente. Ele contudo pegou emprestado apenas vinte e cinco dólares* para arcar com as despesas de sua doença e em 22 de junho de 1563, seriamente implorou ao conselho que os recebesse de volta. Ele de fato protestou, “que ele nunca mais subiria ao púlpito, se ele fosse compelido a reter outra indenização”.
Vinte dólares, ou seja, quase metade de seu salário, ele formalmente rejeitou – uma prova clara de seu desejo de se manter pobre.
Ele ainda destaca o seguinte trecho:
Em uma carta a Farel (21 de janeiro de 1546), ele expressamente relata como uma vez ele foi obrigado a argumentar com um anabatista perante o conselho. Esta pessoa o tratou mal, até que encantoado e estando cheio de malícia, ele respondeu Calvino que todo clérigo levava uma vida de luxo. O reformador respondeu e o anabatista então o chamou de avarento, o que causou várias risadas, “Pois se recordou do que eu desisti neste mesmo ano, e que eu jurei que eu não pregaria novamente se eu fosse pressionado mais sobre este assunto. Também se sabia que eu recusei presentes adicionais e que eu abri mão de vinte dólares* de meu salário. Todos o atacaram quando ouviram isto”.
Nota do tradutor: os valores são dados em dólares pelo próprio autor do livro de onde foram traduzidos os textos, P. Henry. É possível que o autor estivesse usando o valor atualizado para sua audiência.

Notas

1. P. Henry, The Life and Times of John Calvin, the Great Reformer Volume 1 (269–270). New York: Robert Carter & Brothers.

Fonte: e-cristianismo

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 8/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 7/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 6/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 5/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 4/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 3/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 2/8

Em Defesa de Cristo - Documentário Parte 1/8

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Seca Revela Fósseis de Animais Gigantes no Agreste em PE

Uma descoberta paleontológica no Agreste pernambucano intriga moradores da região e pesquisadores. Com a forte estiagem que abate o Nordeste brasileiro, uma espécie de lago entre pedras no topo de uma serra no sítio Carneirinhos, em Dois Riachos, na zona rural de Caruaru, a 130 quilômetros do Recife, secou completamente pela primeira vez, revelando centenas de fragmentos de fósseis de animais pré-históricos [sic]. Entre eles, há exemplares da megafauna, que habitaram a região na conhecida Era do Gelo, há pelo menos 10 mil anos atrás. Com as chuvas das últimas semanas, o reservatório voltou a encher, mas a curiosidade permanece. Aos poucos, o local começou a virar ponto turístico. A comunidade científica já se debruça sobre o material a fim de datar os ossos e descobrir quando eles foram parar naquele lugar. O G1 foi conhecer o “cemitério de fósseis”, que ainda guarda possíveis pinturas rupestres.



O responsável pela descoberta dos ossos foi o agricultor José Carlos Silva, contratado pelo proprietário do sítio para limpar a lama que cobria o reservatório, cujo fundo chega a quatro metros. Pelas diferentes colorações nas paredes é possível enxergar os níveis que a água chegou ao longo do tempo. “Logo no primeiro metro, já apareceu um ‘bocado’ [de ossos]. Eu tomei um susto. Moro há 41 anos aqui e nunca tinha visto isso. Achei fantástico, pensava que era de dinossauro. Parei o serviço para avisar ao patrão”, contou.


Professora de História, Elenilma Melo, esposa do proprietário do terreno, foi quem percebeu o valor da descoberta. “Eu disse: ‘Não bole em nada aí’, pois sabia que era tudo muito frágil, podia quebrar. Procurei outros colegas de trabalho, que entraram em contato com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A notícia tem se espalhado e a gente está cada vez mais ansioso para saber o que tem lá [na lago]”, comentou. “Nossa ideia é preservar o local para guardar esse pedaço da história. A casa está aberta para quem quiser nos visitar”, complementou o comerciante José Severino Silva, dono do sítio.

O biólogo Alexandre Nunes já analisou algumas peças e identificou, por exemplo, partes de uma mandíbula, de um fêmur e de uma terminação do rabo de uma preguiça gigante, que devia medir seis metros. Também há fósseis de tatus, que na época eram do tamanho de um Fusca; de mastodonte e toxodonte, parentes distantes do elefante e do hipopótamo, respectivamente. “Sabe aquele filme ‘A Era do Gelo’? São animais daquele período geológico, o Pleistoceno, que habitavam essa região, favorável à sobrevivência deles, sem mata fechada e com comida. Eles foram extintos por conta das mudanças climáticas, passaram por quatro eras glaciais”, explicou.

O paleontólogo Gustavo Ribeiro, professor do Departamento de Biologia da UFRPE, está responsável pela análise do material. "Já pegamos mandíbula, ossos longos e ossos menores, cerca de 10 a 15 materiais, que serão estudados para divulgação científica até o fim deste ano. Acredito que os animais iam buscar água naquele local e morriam próximo dali, e as enxurradas levavam os ossos para o fundo daquela depressão [sempre a explicação das enxurradas...]. Agora, quando foram parar ali, vamos ter que usar técnicas de isótopos radioativos, como caborno-14, para datação", argumentou o estudioso, que voltará ao sítio, na próxima semana, para recolher mais amostras.


Esta não é a primeira jazida fossilífera localizada em Pernambuco. Segundo a paleontóloga da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Alcina Magnólia Barreto, há ocorrências em pelo menos 40 municípios do estado. A maior parte fica em Brejo da Madre de Deus, perto do sítio em Dois Riachos, onde há 15 depósitos identificados.


E eles dão pistas sobre as características dos fósseis encontrados na região. "A datação deles tem ficado entre 50, 60 e 70 mil anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. Entre os fragmentos coletados, estavam ossos petrificados de preguiças, lhamas, toxodontes, mastodontes", apontou. "É importante preservar essa recém-descoberta porque ela pode ser um local chave na compreensão da ocupação da área pela fauna e pelo homem pré-histórico [sic]", complementou.


No sítio em Dois Riachos, um paredão com a ponta mais curva, que serviria de abrigo aos nossos ancestrais, tem possíveis pinturas rupestres, que ainda serão pesquisadas. "São desenhos que representam o cotidiano dos homens pré-históricos, que podem ter coexistido ou não com os animais gigantes, isso precisa ser estudado", explica o biólogo Alexandre Nunes.

fonte: G1