sábado, 22 de junho de 2013

Fósseis de dinossauros relativamente completos são bastante raros. Além disso, fósseis em que os ossos são essencialmente preservados em disposição apropriada (chamados de fósseis totalmente articulados) são ainda mais raros. No entanto, entre esses fósseis raros, totalmente articulados, existe uma característica comum:a cabeça é frequentemente lançada para trás, e o pescoço curvado, como mostrado no fóssil acima. Isso é tão comum que tem seu próprio termo científico: é a chamada postura opistotônica. Por ser tão comum entre fósseis de dinossauros, tem sido reconhecida há muito tempo. Na verdade, a primeira referência a ela na literatura científica pode ser atribuída a um jornal alemão que foi escrito por A. Wagner por volta de 1859.[1] Desde então, os paleontólogos têm tentado descobrir o que causa essa “pose da morte” incomum.

Essa investigação gerou muita especulação, mas, por fim, um estudo publicado em 2007 aparentemente teria resolvido a questão. Foi feito por uma veterinária,  Dra. Cynthia Marshall Faux, e um paleontólogo de vertebrados, Dr. Kevin Padian. De fato, parece uma equipe perfeita para descobrir o que estaria acontecendo. A veterinária entenderia as várias características fisiológicas e anatômicas dos vertebrados vivos e como elas mudariam durante o processo de morte, e o paleontólogo, os detalhes sobre o processo de fossilização. A conclusão deles foi:[2]

“Não se trata de contração postmortem, mas espasmos musculares perimortem resultantes de várias aflições do sistema nervoso central que causam essas posturas extremas.”

Assim, de acordo com Faux e Padian, a postura opistotônica ocorre em ou perto do momento da morte (perimortem) devido a problemas relacionados ao sistema nervoso central. Não tem nada a ver com o que acontece após a morte (postmortem). O estudo teve ampla divulgação na imprensa e foi considerado por alguns como a palavra final sobre o assunto.

Isso, até o ano passado. Em novembro de 2011, Alicia Cutler relatouos resultados de experimentos em que ela usou galinhas mortas para estudar os efeitos de diversas condiçõespostmortem sobre a postura de restos esqueléticos. Ela descobriu que, quando galinhas mortas eram colocadas na areia, realmente nada acontecia com a postura de seus esqueletos. No entanto, quando galinhas mortas foram imersas em água doce, elas entraram na postura opistotônica em questão de segundos. Isso indica que a “pose da morte” de dinossauros fósseis pode ser o resultado de exposição postmortem à água. Eu vi a notícia linkada acima não muito tempo depois que ela saiu, mas decidi não escrever sobre isso, pois os resultados foram apresentados em uma reunião. Eu geralmente gosto de ter um paper para ler antes de comentar sobre os estudos que foram feitos.

Bem, tanto quanto eu saiba, Cutler não escreveu um artigo sobre seus resultados, mas o sedimentologista Dr. Achim Reisdorf e o paleontólogo Dr. Michael Wuttke escreveram. Eles escreveram um documento circunstanciado sobre todo o trabalho que tem sido feito em relação a essa questão, bem como sobre suas próprias experiências e investigações. Eles chegam a uma conclusão muito semelhante à de Cutler.

Em seu estudo, eles examinam dois fósseis muito bem preservados que apresentaram a postura opistotônica e decidem que o que veem não pode ser reconciliado com as conclusões de Faux e Padian. No entanto, essa análise contém muita especulação, o que os autores admitem. Para mim, o aspecto mais convincente de seu estudo é que eles realizaram experiências semelhantes, mas mais detalhadas, do que aquelas feitas por Cutler, enquanto continuam a dar crédito a Cutler pelo seu trabalho. Eles confirmam que, quando galinhas mortas são colocadas na água, elas rapidamente atingem a postura opistotônica, e eles ainda demonstram os detalhes anatômicos a respeito de por que isso acontece. Eles também confirmam que esses mesmos detalhes anatômicos são vistos nos dinossauros que são normalmente encontrados na postura opistotônica.

No fim, eles concluem:[3]

“Do que foi apresentado acima, pode-se concluir que a formação da ‘postura opistotônica’ em carcaças de répteis de pescoço longo e cauda longa depositadas subaquaticamente é o resultado de um processo post-mortem... essa postura deve ser vista como um fenômeno normal que ocorre durante a incorporação gradual e subaquática desses tipos de carcaças.”

Em outras palavras, agora, o fato de que tantos fósseis de dinossauros articulados são encontrados na postura opistotônica é provavelmente relacionado com alteraçõespostmortem específicas que ocorrem como resultado de terem sido enterrados em sedimentos aquosos. Claro, isso se encaixa perfeitamente com a ideia de que esses fósseis de dinossauros são o resultado das ações de um dilúvio universal.

(Dr. Jay L. Wile [Proslogion], via Ler Para Crer)

Referências:

1. Wagner A, “Über einige, im lithographischen Schiefer neu aufgefundene Schildkröten und Saurier,” Gelehrte Anz königl Bayer Akad Wiss 69:1-69, 1859.
2. Faux CM, Padian K, “The opisthotonic posture of vertebrate skeletons: post-mortem contraction or death throes?,” Paleobiolology 33:201–226, 2007.
3. Achim G. Reisdorf and Michael Wuttke, “Re-evaluating Moodie’s Opisthotonic-Posture Hypothesis in Fossil Vertebrates Part I: Reptiles – the taphonomy of the bipedal dinosaurs Compsognathus longipes and Juravenator starki from the Solnhofen Archipelago (Jurassic, Germany),” Palaeobiodiversity and Palaeoenvironments 92:119-168, 2012.

fonte: Michelson Borges - criacionismo.com.br

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